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COMUNAS LBTS
PLATAFORMA DE ARRECADAÇÃO DE FUNDO DE AÇÃO EMERGENCIAL DE ENFRENTAMENTO À MISÉRIA E A FOME DE AFROLBTS E MULHERES NEGRAS CHEFES DE FAMÍLIA EM VULNERABILIDADE SOCIAL

REDE NACIONAL ETNOGASTRONOMIA E CULTURA VIVA
🌿 CARTA DE PRINCÍPIOS
Rede Nacional de Etnogastronomia e Cultura
Desde 2005, os coletivos e entidades culturais fundadoras da Rede Nacional de Etnogastronomia e Cultura vêm trabalhando de forma contínua na pesquisa, sistematização e desenvolvimento de práticas no campo da etnogastronomia. Ao longo dessas duas décadas, têm contribuído para a formulação e o aprimoramento de políticas públicas, para a construção de novas formas de compreender a alimentação e para o fortalecimento de sistemas alimentares baseados na biodiversidade, na cultura e na justiça social.
A Rede nasce da maturação dessas experiências acumuladas — experiências que integram pesquisa cultural, preservação da fauna e da flora, combate à fome, promoção da saúde integral e valorização das tecnologias ancestrais.
Compreendemos a etnogastronomia como campo interdisciplinar que articula cultura, ciência, território, espiritualidade e política pública. Alimentação não é apenas consumo: é identidade, é memória, é organização social e é projeto de sociedade.
🌾 Tecnologias Ancestrais e Energia Vital
Reconhecemos que os povos milenares desenvolveram tecnologias ancestrais sofisticadas, baseadas na observação dos ciclos naturais, no respeito à biodiversidade e na transmissão intergeracional de saberes.
Essas tecnologias garantiram, ao longo do tempo, equilíbrio ambiental, nutrição adequada e organização comunitária. São práticas de cultivo, conservação, preparo, uso integral e partilha que estruturam sistemas alimentares sustentáveis.
Para a Rede, o alimento é força, memória, espiritualidade e vibração energética.
Carrega axé.
Conecta corpo, território e espírito.
É elemento de cura, de equilíbrio e de continuidade cultural.
🌿 Preservação da Biodiversidade
A proteção da fauna e da flora é condição estruturante da etnogastronomia. Sem biodiversidade, não há diversidade alimentar; sem diversidade alimentar, não há saúde nem soberania.
A Rede atua na valorização de espécies nativas, no incentivo a práticas sustentáveis e no fortalecimento do princípio de que nada se desperdiça, tudo se transforma.
🌱 Combate à Fome e Promoção da Saúde
Entendemos que a fome é resultado de desigualdades históricas e estruturais. Combatê-la exige fortalecer sistemas alimentares territoriais, ampliar o acesso a alimentos de qualidade e contribuir tecnicamente para políticas públicas de segurança alimentar e saúde coletiva.
A saúde é compreendida de forma integral — física, cultural, ambiental e energética.
Não há saúde sem alimentação adequada.
Não há alimentação adequada sem território preservado.
🌎 Sustentabilidade e Sobrevivência
A sustentabilidade é eixo central da Rede. Sustentabilidade ambiental, cultural, social e econômica.
Defendemos:
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A sobrevivência dos povos detentores de saberes tradicionais;
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A continuidade das tecnologias ancestrais;
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A manutenção da biodiversidade como base da vida;
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A sustentabilidade das entidades culturais e coletivos que pesquisam e atuam no campo da etnogastronomia;
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Modelos econômicos solidários e circulares que garantam autonomia e permanência territorial.
A sustentabilidade, para a Rede, não é conceito abstrato — é condição concreta de existência.
🔎 Pesquisa e Incidência Pública
A Rede reafirma seu compromisso com a produção de conhecimento, a sistematização de experiências e a incidência qualificada na construção de políticas públicas nas áreas de cultura, segurança alimentar, saúde e meio ambiente.
Etnogastronomia é campo de pesquisa aplicado à vida.
✨ Compromisso Final
A Rede Nacional de Etnogastronomia e Cultura afirma que:
Etnogastronomia é patrimônio vivo.
É tecnologia ancestral em diálogo com o presente.
É combate à fome com base na biodiversidade.
É promoção da saúde integral.
É alimento como energia vital em movimento.
É sustentabilidade como garantia de futuro.
Porto Alegre, 06 de maio de 2025.
Assinam esta carta entidades fundadoras
Sobre
A Liga Panelladexpressão é um coletivo criado em 2009, formado por AfroLBTs e mulheres chefes de família de comunidades periféricas. Atua no campo da cultura viva, da pesquisa antropológica e da produção cultural, investigando as experiências diaspóricas de mulheres negras, afro-LBTs e povos africanos, indígenas e tradicionais no Brasil e em outros territórios do mundo.
Desde sua criação, a Liga desenvolve, estimula e pesquisa a etnogastronomia como processo cultural e político, compreendendo a alimentação como um direito humano fundamental e como eixo estruturante da identidade, da memória e da organização social dos povos. A partir de um olhar antropológico, suas pesquisas abordam práticas alimentares de matrizes africanas, indígenas e tribais, valorizando o uso integral dos alimentos, os saberes ancestrais, os territórios e os modos de vida, relacionando racismo estrutural, insegurança alimentar, soberania alimentar e direitos humanos.
A etnogastronomia é também tratada como ferramenta de cidadania climática, ao evidenciar os impactos das desigualdades raciais e sociais nas crises ambientais, no acesso à terra, à água e aos alimentos saudáveis. Nesse sentido, a Liga atua na defesa de sistemas alimentares justos, sustentáveis e culturalmente referenciados, reconhecendo os povos negros, indígenas e tradicionais como guardiões de tecnologias sociais fundamentais para o enfrentamento das emergências climáticas.
Reconhecida como Ponto de Cultura Panelladexpressão: Etnogastronomia, Gênero e Comunicação, a Liga atua em periferias, quilombos, terreiros de matriz africana e outros territórios diversos. Atualmente, executa ações do Pontão Temático Nacional Gêneros em Rede, em parceria com a instituição convenente Instituto Aaknni, preservando sua autonomia política e conceitual.
Em maio de 2025, na cidade de Porto Alegre, a Liga Panelladexpressão fundou a Rede Nacional Etnogastronômica, com o objetivo de articular pesquisadoras(es), coletivos, cozinhas culturais e espaços formativos comprometidos com a etnogastronomia como campo de produção de conhecimento, defesa dos direitos humanos, enfrentamento ao racismo alimentar e promoção da cidadania climática.
O QUE É A REDE NACIONAL DE ETNOGASTRONOMIA E CULTURA
🌾 Etnogastronomia como defesa do território
A Rede compreende que cada prato carrega:
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História coletiva;
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Saberes tradicionais;
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Relação com o bioma e com a terra;
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Formas próprias de organização social.
Defender a etnogastronomia é defender os territórios, os povos e seus modos de vida. É proteger sementes crioulas, práticas agroecológicas, sistemas alimentares tradicionais e patrimônios culturais imateriais.
♻️ Empreendimentos etnogastronômicos sustentáveis
A Rede articula empreendimentos que utilizam:
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Produtos locais e sazonais;
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Manejo sustentável e agroecológico;
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Técnicas tradicionais de preparo e conservação;
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Princípios de economia circular.
Seu fundamento é claro: nada se desperdiça, tudo é aproveitado. Cascas viram caldos, sementes viram farinhas, talos viram refogados, excedentes viram partilha. A etnogastronomia é também tecnologia social.
🎨 Arte, cultura e criação
A etnogastronomia é reconhecida como expressão artística e cultural. Festivais, feiras, vivências, residências criativas, pesquisas, intercâmbios e formações fazem parte da atuação da Rede, promovendo:
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Geração de renda territorializada;
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Valorização da diversidade étnica e cultural;
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Sustentabilidade ambiental;
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Cultura do cuidado e da coletividade.
A Rede Nacional de Etnogastronomia e Cultura afirma que cozinhar é um ato cultural, político e artístico — e que a etnogastronomia é caminho para fortalecer identidades, proteger territórios e sustentar a vida.
🌿 Como entrar na Rede Nacional de Etnogastronomia e Cultura
A entrada na Rede ocorre exclusivamente por convite, a partir de indicação de integrantes ou instituições parceiras que reconheçam a atuação do empreendimento, coletivo ou agente cultural no campo da etnogastronomia, cultura e defesa dos territórios.
O convite considera:
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Atuação comprovada em etnogastronomia;
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Compromisso com sustentabilidade e reaproveitamento integral;
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Defesa dos territórios e da biodiversidade;
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Respeito às tradições culturais e à diversidade;
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Práticas éticas e colaborativas.
Após o convite, a organização ou pessoa convidada deverá preencher o formulário abaixo, que será analisado pela coordenação da Rede.
🌿 Da Autonomia das Entidades e da Articulação em Rede
A Rede Nacional de Etnogastronomia e Cultura reconhece e assegura a plena autonomia organizativa, política, financeira e metodológica de todas as entidades, coletivos, empreendimentos e agentes culturais que a compõem.
A Rede não interfere na gestão interna, nas decisões administrativas, na identidade cultural ou nas estratégias de atuação de seus integrantes. Cada organização mantém sua natureza jurídica, seu modo de funcionamento, suas alianças territoriais e sua linha de trabalho.
🔸 O que nos une
A articulação em rede se dá por afinidade de princípios e compromissos comuns:
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Valorização da etnogastronomia como patrimônio cultural;
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Defesa dos territórios e da biodiversidade;
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Sustentabilidade e reaproveitamento integral;
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Respeito à diversidade étnica, cultural e social;
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Cooperação solidária.
Não há hierarquia verticalizada. A Rede atua de forma horizontal, colaborativa e descentralizada.
🔄 Como se dá a articulação em rede
A articulação ocorre por meio de:
1️⃣ Convergência de Propósitos
As entidades se conectam por objetivos comuns, mantendo suas especificidades.
2️⃣ Cooperação Voluntária
Parcerias são construídas por adesão livre, sem obrigatoriedade de participação em todas as ações.
3️⃣ Compartilhamento de Saberes
Intercâmbios, vivências, formações, feiras, festivais e pesquisas colaborativas fortalecem a troca entre territórios.
4️⃣ Incidência Coletiva
Quando necessário, a Rede pode se posicionar publicamente em defesa da etnogastronomia, dos territórios e das culturas alimentares tradicionais — sempre respeitando a autonomia de quem opta por não subscrever determinada manifestação.
5️⃣ Economia Colaborativa
Projetos, editais e iniciativas conjuntas podem ser construídos de forma cooperada, mantendo a gestão financeira independente de cada participante.
🌱 Princípio Fundamental
A força da Rede não está na centralização, mas na conexão entre autonomias.
Cada entidade é um território vivo.
A Rede é o elo que articula esses territórios sem apagá-los.
INSTITUTO CULTURAL PANELLADEXPRESSÃO RS-COLETIVO ATELIERDOAGAVE SC/RJ-PONTO DE CULTURA OFICINADAJACA-PE- COLETIVOCOZINHACANINANA DF-REDESAPATÀ BR- INSTITUTOAXÉMIRÊ- ACARMOLBTNEGRITUDE-OKOXINA TY CRIA RS

Participaram da roda de saberes? Leila Lopes – Coordenadora do Pontão Gêneros em Rede, representante do Ponto de Cultura Panelladexpressão e criadora do conceito de Etnogastronomia• Gil Neves (RS) – FESPOPE – Fórum Estadual das Mulheres Negras Trabalhadoras da EPS• André Mombach – Programa Paul Singer | SENAES – Secretaria Nacional da Economia Popular Solidária• Rafa Rafuagi – Coordenador do Museu do Hip Hop RS• Oficina da Jaca (PE)• Atelier do Agave (RJ)• Cozinha Sabores do Axé (RS)• Abaçá Ewè (RS)🎭 🎶Atrações Artísticas:Adriana Rodrigues – “Nossos passos vêm de longe”Banda CIRC (PE-RS)Baile “Lembra da Tereza?” com DJ Bieta (RJ) e DJ Fonk69
COZINHA DAS MINAS PRETAS - Festival Latinidades BSB 2016
Nossa
História





